Conto- O campanário do apocalipse parte 2
Levantei sentindo um cheiro forte nas narinas. Um odor de carne queimada flutuando salvajemente pelo ar empesteado. Pensei em algo macabro por um milésimo de segundo.
Mas deixei os maus pensamentos dissolverem se na cabeça ainda um pouco atordoada. Caminhei devagarinho seguindo o curso do sol que se espreguiçava nos galhos ressequidos daquela paisagem apocalíptica.
É impressionante como a vida humana é frágil. Habitamos um planeta lindo, azul pálido visto do espaço, nau sublime que navega a escuridão veludosa do espaço. Às vezes a experiência humana é algo extremo. Vivemos nas bordas do desespero e a existência humana oscila entre os extremos do sofrimento e as duras penas de um tédio esmagador.
Eu penso tudo nisso enquanto caminho por uma estrada de terra nua onde no vejo um único vestígio de vida desde que deixei aquelas criaturas naquela igreja assombrada. Quero chegar em casa e acho que estou chegando perto. O sol já vai descendo o horizonte. Foi um dia inteiro de caminhada. O que está acontecendo com o mundo desde que me vi naquele campanário.
O que está acontecendo? Estará o mundo enlouquecendo num apocalipse zumbi? Mas isso seria algo tão de filme B. Sinto que quanto mais me aproximo de minha casa mais as respostas aparecerão. A noite chega com seus suspiros negros e encobre o ar empestado.
Vou descansar. Me aproximo de um jardim em uma casa abandonada. Vou me deitar aqui neste gramado. Sinto muitos insetos. A noite será longa e ao longe escuto estranhos grunhidos.
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