Conto/ O campanário do apocalipse-parte 4

Estava com sede e continuava em minha peregrinação a um rumo desconhecido. Parei num grande lago azul cercado por uma relva macia quando senti alguém se aproximar.

Me virei puxando instintivamente minha arma e apontei para o rosto de uma  jovem de feições simétricas e doces. Ela se assustou e botou as mãos na frente do rosto num gesto de proteção. Então falei:

"Fique parada aí!" Ela então respondeu hesitante.

"Calma não atire! Sou humana e não estou infectada!"


Então pasmo e ainda tenso pelo susto abaixei o cano da arma e perguntei:

"Quem é você?"

"Meu nome é Martia e estou perdida aqui neste inferno." Respondeu de maneira ofegante.


Olhei de maneira desconfiada e então falei:

"De onde você vêm?"

"Venho do sul e estou fugindo dessas coisas que estão soltas por aí."


   Ficamos um olhando para o outro sem pronunciar uma só palavra. No fundo eu estava muito apreensivo pois não sabia o que fazer e qual seria a resposta de por que aquela mulher estava ali.


Minha alma estava muito confusa. Tínhamos como paisagem sonora urros monstruosos de algum lugar por perto. Ela era uma mulher de cabelos dourados extremamente cacheados. Tinha na cintura um imenso rifle de aço inoxidável. Então falei:


"vamos junto então. Estou com um mal pressentimento. Tem algo que não entendo desde que acordei sonâmbulo naquele campanário. Se você vem do sul quer dizer que essas coisas estão em todos os quadrantes. Temos que descobrir por que isto está acontecendo."

"Campanário?"

"Depois te explico. Temos que ir até minha casa.


Estou indo para minha casa pois sinto que algo me diz que lá encontrarei algo que me explique tudo o que está confuso em minha mente.


Temos que sobreviver nesse inferno que está ocorrendo neste lugar. Por que essas criaturas zumbis estão atacando os seres humanos. De onde vem essa infecção. Até agora não tive nenhuma resposta."


"Sim vamos para onde você quer ir pois não tenho mais nada a perder." 

"Não é só você que perdeu vi aquelas coisas matarem meus pais. Estourei a cabeça de alguns deles e corri o mais rápido que pude. Estou há dias andando e estou com medo. Você é a primeira pessoa que vejo em dias."

"Puxa sinto muito" falei com certo embargo na voz.

"Não precisa agora só precisamos nos ajudar para sobreviver." 


 Então com Martia ao meu lado fomos em direção ao leste com nossas armas engatilhadas. Martia e eu Ford, estamos rumando para uma jornada desconhecida. Mas tem algo estranho com Martia.


Sinto que ela me esconde algo. Mas é a única alma ainda humana neste estranho apocalipse zumbi.


Prosseguimos cautelosamente e mais um dia chegava ao fim. Tenho um estranho pressentimento. O ar cheira a morte e os pássaros não mais piam. Há um silêncio opressor na atmosfera.

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