Conto- O guerreiro selvagem
Ele enxergou ao longe uma clareira enquanto a mata densa começava a escassear. Ele segurou firme sua espada e foi em direção à clareira. Um ciclópico templo de mármore dourado resplandecia. Ele cheio de deslumbramento e ao mesmo tempo terror, vislumbrou aquele tempo e olhou imediatamente percebendo que seu cume se perdia nas nuvens dum céu azul pálido.
O portal era imenso e feito de ferro forjado. Dois ídolos monstruosos um na lateral esquerda e outro da lateral direita. Então um dos atalaias com uma voz pastosa falou."O que queres aqui forasteiro?" O guerreiro com voz tonitruante então retorquiu. " O que são vocês e este templo?" " Somos os vigilantes deste lugar assombrado. Nenhum mortal entra aqui a séculos". O guerreiro então guardou sua espada e fitou com assombro aquele estranho lugar.
Sua alma se inebriou de algo indefinível. Então foi e puxou o portal de ferro enegrecido. A porta rangeu e soltou um doloroso gemido. Quando ele a arrastou uma revoada de morcegos voou para fora. Ele então foi entrando no imenso palácio. Mal sabia ele que ali vicejaria sua perdição.
Entrou e viu um imenso ídolo de pedra. Os olhos eram duas pedras refulgentes com uma estranha aura de malignidade. O lugar era um salão amplo e cheio de estátuas de sal. Tinha um ar sufocante aquele lugar e parecia ter sido amaldiçoado por deuses monstruosos. Um raio de luz ofuscante saiu dos olhos do velho ídolo e entrou pelo terceiro olho do guerreiro. Sua mente saiu fora de órbita e lembranças de uma vida esquecida tomaram sua mente. Lembrou de dores inomináveis quando era apenas uma criança.
Sua alma partiu se nesse momento e um ataque de fúria tomou seu ser. Pegou a espada e começou a golpear freneticamente o ídolo gigante. Escalou-o e cortou violentamente sua cabeça. Então com gargalhadas ensandecidas ele arrancou os olhos do ídolo e guardou. Gritos e murmúrios assombravam aquele lugar.
Ele então após pegar as jóias saiu e correu desbragadamente em direção a floresta densa, desejando nunca mais ver o lugar que o fez relembrar coisas dolorosas. O sol estava rosa no horizonte esmaecido. O guerreiro só queria chegar a cidade, beber e fornicar. Tempos depois ele ouviu alguém falar de um templo assombrado que existiria no coração da floresta. Ele sorriu e seus olhos brilharam.
Ele olhou para as paredes da taberna e enxergou os olhos malévolos do gigantesco ídolo. Ele arrancou seus olhos e os trazia na sua algibeira. Howard o guerreiro arrancador de almas e destruidor de ídolos. Guerreiro e salteador.
A bebida gelada fermentada corria goela a baixo e sua mente dispersa ouvia os murmúrios e a agitação da taberna. Agora ele venderia os olhos de gemas que arrancou da face monstruosa daquele ser de granito que dormia o sono das pedras. Venderia por bons rendimentos e gastaria tudo em bebida jogos e mulheres.
Howard o guerreiro lembrava daquele templo antigo afundando no caos da noite. Sua alma então gargalhou e uma cortesã sentou em seu colo. A noite prometia.
Comentários
Postar um comentário