Poema/ Velhos caminhos trançados

 1.

Repisei velhos caminhos

E falhei em encontrar as promessas.

Ao assumir o viço da primavera 

Rachei como neblina.

As mãos esmolaram o sol

E fiquei impedindo a malha de luz

De supurar minhas pálpebras. 

Reincidi na ferida 

E acendi oceanos

Nos poros cansados. 

O amor prometeu o éden 

E regurgitou um sorvo de treva.

Ao refazer a morte a cenho carregado

Auscultei a respiração do abismo

E a noite arfou em meu sufocamento. 


2.

Arremedei tuas súplicas 

E reparei no ardor que me aniquilava.

Chovia em meu lábio e o sono me inebriava.

Quando tudo desmoronou

Me mantive na respiração desesperada 

E afundei na fluidez.


Espero um tempo que não virá 

E sopro cinzas nos olhos da noite.

Como suportar a pálpebra que espalha

A lágrima que nunca existiu?


Rever teu silêncio é resetar

Tudo o que um dia houve.

Me engolfei em tuas malhas

Acovardado de tua respiração 

No meu ouvido.

O coração torturado 

Nas algemas do amanhecer. 

Arrastando memórias 

Que não se dissipam.

A voz falta para resguardar teu sono

E aclaro as distâncias 

Com o dínamo do músculo. 

Mas me desfaço em lamúrias

E encontro o rasgar da carne

Nos ganchos do relâmpago. 

O lábio acaba onde teu ódio começa 

E caio na embriaguez.

Nela encontro manobras e meneios

Para resistir ao tédio e a hora

Em que meus sonhos desfrutarão 

De um éden, que aqui,

 me foi diligentemente negado.


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